Sunday, 2 September 2007

Indignação e alegria.. um fim de semana banal a ver tv

Este fim de semana decidimos ficar por casa. A Maria está em mudança de emprego e embora houvesse o Regent Street Festival e o Singapure Day em Brick Lane, não fizemos a viagem até ao centro. Tambem não pode ser sempre...
Por isso foram dois dia s a ver televisão e arrumar minimamente a casa (até porque vamos ter visitas, não é, Ana?).
Entre alguns filmes e muita porcaria televisionada, tive a alegria de ver Portugal arrebatar a medalha de ouro no triplo salto dos Campeonatos do Mundo de Atletismo de Osaka e hoje rever a excelente prestação da Vanessa Fernandes no Campeonato do Mundo de Triatlo na Alemanha... Sempre são alegrias que vamos tendo aqui no fim do mundo!

Fiquei indignado com a repercussão às declarações do David Cameron (lider do Partido Conservador e da oposição ao governo de Gordon Brown). Disse ele que achava que todos os alunos que acabam o ensino primário em Inglaterra (com 11 anos) e que não saibam ler, escrever e contar, devem ficar mais um ano antes de passarem para o ensino secundário. Os porta-vozes do Governo Trabalhista tiveram pois a coragem de vir a publico dizer que achavam essa política um erro que já tinha sido tentado antes e sem sucesso. E a razão dada é que seria injusto deixar para trás uma criança de 11 anos e ver os seus amigos de turma seguirem em frente. COMO????? Então é mais importante uma "criança" de 11 anos continuar na mesma turma que os seus amigos do que saber ler, escrever ou contar???? Como é possível num país dito evoluido dizer-se tamanha barbaridade?? Depois não admira que jovens com 12 ou 13 anos não se consigam adaptar ao ritmo do secundário e caiam na malha do "truancy" (as baldas) e andarem pelas ruas sem nada para fazer, facilmente caindo nas malhas da pequena criminalidade ou pior!!!
Razão teem os criticos deste governo trabalhista em dizer que ser politicamente correctos não leva esta nação a lado nenhum...

Em contraste, leio no Diário Digital que este ano ficaram sem colocação 17 mil professores contratados, que tinham horário completo no passado ano lectivo. No concurso nacional para preenchimento de vagas residuais, só 3.252 candidatos entre os 47.977 que concorreram, obtiveram um horário completo no próximo ano lectivo. Isso faz com que quase 45 mil professores estejam neste momento sem emprego!!! Numa altura em que as escolas do interior estão a fechar com falta de alunos, que perspectiva há para as centenas de jovens que entram este ano para a Universidade nos ramos de Ensino?

Aparte de estes dramas, espero sinceramente que o Camacho consiga levar a equipa do Benfica onde todos esperamos vê-la, isto é, na luta pelo título. Os meus ouvidos estarão dentro de 30 minutos na Rádio Renascença online, a apoiar o glorioso na deslocação à Madeira.

Uma boa semana de trabalho para todos!!!

1 comment:

Susana Rodrigues said...

Vou comentar a questão dos professores que, por acaso ;), me diz directamente respeito:
-Não querendo fazer de advogada do Diabo (até porque não sou fã da ministra da Educação), importa clarificar que as quase 45 mil pessoas que estão "sem emprego", ou melhor, sem colocação em escolas, não podem ser nomeadas de "professoras". Eu já concorri ao ensino, fiquei de fora (portanto fiz parte desses números) e não me auto-proclamo professora só porque concorri a um emprego como tal.
-Este é um problema social e não do Ministério da Educação que não é, de todo, o Centro de Emprego.
-É INSUSTENTÁVEL para o nosso país manter abertas escolas com menos de 10 alunos, já que os salários do professor (de vaga única) e do auxiliar de acção educativa, saem dos dinheiros públicos e devem ser rentabilizados ao máximo, sem prejuízo dos alunos, obviamente.
-É importante salientar que não é saudável (e aqui falo dentro da minha área já que estudo Educação de Infância) para nenhuma criança, frequentar um estabelecimento de ensino no qual dispõe apenas de menos de uma dezena de outras crianças para brincar/partilhar experiências. Nestas tenras idades não importa apenas o currículo escolar dado que as aprendizagens sociais são importantíssimas para o desenvolvimento psico-cognitivo das crianças. Já assisti a casos ridículos de escolas com 3 alunos em que 2 estavam com gripe e a professora no intervalo ía para a baliza defender os golos de uma criança que, com toda a razão, não quer estar sozinha ali.
-O problema dos jovens licenciados é generalizado em todas as áreas. Alias... o problema do desemprego atravessa o país neste momento. Acontece que a maior parte dos desempregados na área da educação não são jovens licenciados em cursos virados para a educação, mas licenciados noutras áreas também elas saturadas e que tentam a sua sorte na educação: engenheiros químicos, informáticos, geógrafos, geólogos, biólogos, etc.
-Eu, como estudante de Educação de Infância, curso que frequento por realização pessoal já que possuo outra licenciatura talvez com melhor saída profissional, nem sequer sonho com uma colocação pública. Penso que o meu futuro passará pelo ensino particular ou mesmo pela criação do meu próprio posto de trabalho...